Chegamos a um novo tema de estudo: a concordância verbal. A concordância verbal ocorre como uma combinação entre o verbo e o sujeito da oração.
Estamos acostumados a estudar concordância verbal analisando no mínimo 20 regras. O Gramatikê, que se baseia na Aprendizagem Linguística Ativa (Pilati, 2017, 2024, 2024), irá trazer a seguir uma forma mais simples de entender o fenômeno. Vamos aprender?

Comparemos as sentenças:
Nós amamos.
e
Nós amo.

Quais as diferenças entre as sentenças?
"Nós amamos" é uma oração com concordância verbal e bem formada na nossa língua, pois o sujeito é um pronome de 1a pessoa do plural e o verbo exibe informações de 1a pessoa do plural (-mos).
Já "Nós amo" não é uma oração bem formada porque não há "concordância" entre o verbo e sujeito. O sujeito "Nós" está na 1a pessoa do plural e o verbo "amo" na 1a pessoa do singular.

Existe uma regra geral para a concordância na norma padrão do português?
Segundo o Gramatikê, sim, vejamos:
Na norma padrão do português, a concordância verbal irá se manifestar no verbo da oração, por meio do compartilhamento do traços de número e pessoa do:
Ou seja, as informações do sujeito ou do conjunto semântico presente na posição de sujeito devem ser exibidas também pelo verbo da oração.

Vejamos o exemplo:
Se houver dois núcleos ocupando a posição de sujeito, o verbo irá concordar com a interpretação resultante da combinação estabelecidas no interior do sintagma. Ou, como estamos propondo com os traços do conjunto semântico formado pelos elementos que compõem esse sintagma.

E como essa regra se aplica em casos em que dois padrões de concordância são possíveis? Vejamos:
A maior parte das meninas foi.
ou
A maior parte das meninas foram.
ou
Nos exemplos acima, vemos que, na norma padrão, a concordância verbal usa como material ou as informações de número e pessoa do núcleo do sujeito ou as do conjunto semântico formado pelos elementos que compõem esse sintagma. No exemplo em que o sujeito é a expressão "a maior parte das meninas", há um núcleo no singular, mas a expressão denota uma ideia de pluralidade, por isso a concordância pode ocorrer de duas formas. Já no caso da concordância ideológica, como em os brasileiros gostamos, a concordância se dá com o conjunto semântico que ocupa a posição de sujeito.

A forma de entender o fenômeno da concordância verbal do Gramatikê está de acordo com as gramáticas tradicionais?
Sim. Gramáticas tradicionais como Cunha & Cintra (1985) apresentam a concordância verbal como um fenômeno sujeito à variação, dependendo da conotação semântica que se deseja dar à sentença.
Para expressar esse tipo de variação, na descrição dos casos de concordância nessas gramáticas, usam-se expressões modalizadoras como "o verbo concorda com o mais próximo ou ao vai ao plural"; "o verbo pode ficar no singular, ou ir ao plural para realçar a participação simultânea na ação; "O sujeito composto ligado pela série aditiva negativa nem... nem leva o verbo normalmente ao plural e, às vezes, ao singular".

A proposta do Gramatikê busca, portanto, possibilitar aos usuários uma reflexão sobre o fenômeno com base nos princípios subjacentes a um conjunto mais amplo de subcasos de concordância verbal.
Chegamos ao final da teoria! Que tal praticar os conhecimentos resolvendo algumas atividades? Selecione o nível e vamos em frente!
Para mais detalhes, consulte Linguística, gramática e aprendizagem ativa (Ed. Pontes, 2017, 2024).